quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Ketching up your opinion: luisantonego@gmail.com












A natureza humana não cessa de me espantar. Para não me perder nas palavras, vou em versão PowerPoint:
1. Perdido num universo de milhões de blogs, como é que é possível que alguém o visite para além da minha mãe ou do meu pai? (Por acaso, nenhum deles o leu até agora, o que aumenta o mistério)
2. Esse alguém, para além de se dar ao trabalho de entrar no blog, ainda o lê. Foste promovido de leitor a herói.
3. Mais, o agora super-herói, tenta comentar.
4. Não consegue, mas como a persistência é própria dos deuses, envia um mail a Luis Anton Ego alertando para o facto.
5. E ainda mais curioso: há mais do que um deus(a) neste panteão.
6. Obrigado pela dádiva.

Devido a um problema técnico, que acredito estar relacionado com o template do blog, não é possível fazer comentários. E apesar de perceber tanto de HTML e templates de blog como de pontos de açúcar, vamos tentar resolver este caramelo de problema o mais rapidamente possível. Até lá poderão descarregar a vossa fúria divina em luisantonego@gmail.com. Não só tentaremos responder, como também postar os comentários. Sigam o exemplo dos deuses, sem passar pelos seis pontos acima mencionados. Basta enviar um mail.

Muito em breve: Anita visita um restaurante em Veneza com estrelas no Guia Michelin.

Em versão espectador TVI: Brevemente.... a história de uma menina, ingénua, que foi conduzida a experimentar um cocktail e acordou numa banheira de um hotel em Veneza, sem um rim.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Ir às compras em São Miguel











Como começar um post condenado logo à partida a alguma contradição? Não sei, mas já começou. Por aqui ir às compras é um pouco como ir à caça. Por exemplo, se Luis Anton Ego quiser organizar um jantar de degustação para uns amigos, com ou sem limite orçamental, temos que percorrer todas as capelinhas, sem excepção. É mesmo uma coisa no limiar do religioso. E é aqui que começa a contradição. No fundo, não me importo de percorrer todos os santuários de consumo, perdendo um dia inteiro à procura dos melhores ingredientes. O problema é que a colecta final não inspira a grandes manifestações de euforia, tais como grunhidos e comemorações tribais. (Ver vídeo de segurança El Corte Inglês). A verdade é que somos uma ilha, e a diversidade à mesa não é grande. Mais de contradição: O que temos é excelente, extraordinário. Mas para quem varia entre gourmet e gourmand, como o Santana Lopes muda de opinião, quero e preciso de mais. Não estou a dizer que quero ou possa comprar toda a diversidade que encontro quando visito outros mercados. Mas é a vibração que vemos e sentimos que alimenta a paixão por este mundo. Neste momento, é irresistível não dar mais um twist de contradição: No nosso caso, ou por leituras destes exemplos paralelos, o problema não está nos nossos supermercados, mercados, quintas de amigos, etc. A oferta está adaptada ao mercado, e as coisas funcionam do ponto de vista comercial, por isso não aponto armas à oferta. Também não apontarei à procura. Parece-me bélico demais. Mas em boa conversa de mesa, diria que não somos suficientes. E este é um mal que tenho a certeza se queixarão os mais diversos sectores ligados à cozinha e à mesa. Não acredito que determinados restaurantes tenham mudado a sua filosofia de ementa porque sim. Alteraram porque não aderimos, não incentivamos. Talvez porque não criticamos na altura certa e de forma positiva e construtiva. Se gostamos, temos que nos dar ao trabalho de chatear. De tirar o fato treino. Não acredito que determinados supermercados tenham deixado de vender produtos importados por vontade própria. Se as prateleiras fossem ficando vazias com regularidade, uma coisa é certa, eles não teriam razão para deixar de ter o produto. Não acredito que não encontremos uma maior diversidade de frescos no mercado porque os vendedores o querem. Simplesmente não compensa plantar uma erva, um fungo o que seja, que lhes é estranho, mas que nem com um esforço contra natura, tem a regularidade de venda para ser rentável. Agora, no que acredito é na pop. Eu acredito nas temáticas da moda. E falar de cozinha, restaurantes, comida e receitas está nos tops. É giro dar jantares, ir a restaurantes da moda. Falar de comida, de chefs, de viagens gastronómicas, etc. (A cada passo esta coisa da contradição vai ganhando corpo, qual um bom molho. Blog criado há menos de um mês). Mas é verdade também que as horas, infindáveis, que passei atrás de tachos, de ingredientes, de livros, de documentários, de tudo o que envolve cozinha, dá-me a confiança suficiente para dizer que grande parte está a dar uma surfada na crista da onda. E quando vier a próxima, eles saltam fora. Não é recado para ninguém e isto não é um projecto de Valentim Loureiro. É só para dizer, que na realidade somos poucos. Na realidade, somos poucos a ir ao mercado, somos poucos a comprar produtos esquisitos, somos poucos a saber confeccionar de modo a comprar com regularidade, aquilo que no caixa ninguém sabe o nome. No outro dia, encontrei, num supermercado, um t-bone, coisa que nunca tinha visto num supermercado por cá. Perguntei de imediato o que era. A resposta foi costeleta, sem referência a corte. Com insistência e pergunta a uma colega, lá veio a vazia, mas que infelizmente não tinha sido muito bem cortada. Ora, aquele azar, tinha acabado de gerar um t-bone perfeito, parte vazia, parte lombo, dividido ao meio por um osso em T. Só o T, diz tudo. T de Sublime. Agora, quero servir um t-bone outra vez, para uns amigos, à última da hora? Consigo? Não somos suficientes. Enfim, mas sem desitir até termos direito a uma cabeça de espargo intacta.
* T-Bone: O lado mais curto é o lombo. Por amor de deus, uma oportunidade ao médio mal.




segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

As coisas que nunca vou entender no mundo da comida. Parte 1: Os nomes
















É escusado, nunca irei entender. Quer dizer, há uns que ainda se entendem. Por exemplo, o Spaghetti a la Puttanesca. Que um dito italiano, casado com uma mulher da má vida, vá digamos... uma rameira, fizesse um esparguete com alcaparras e tomate que o corno adorava, até é fácil compreender. Aliás, até acredito que é um prato que terá muitas variantes de pais para pais. Tapas à Puttanesca, Crepe Chinês à Puttanesca. Ia até mais longe e desconfiaria da coisa, sempre que nos dizem: Aí não custou nada fazer. Não perdi tempo nenhum!
Enfim, deixando de nos deter sobre questões sociais, há nomes ou denominações que se compreendem. Chega-se lá através de uma simples lógica, ou então de uma história que explica, até certo ponto de forma racional, o nome do prato, da preparação, do molho ou do ingrediente. Agora molho Bearnaise? No outro dia vi uma Sopa Moscavidense. De Moscavide só ouvi falar do Rei dos Frangos. Quem não conhece a famosa expressão: Vou ali a Moscavide buscar um frango? Não? Então muito menos deverá conhecer a expressão: Vou ali a Moscavide buscar uma sopa. Enfim.
Um destes nomes que mais me apaixona é o Molho Holandês. Para já, porque o adoro e é tão simples fazer. Por outro lado, também porque merece respeito. Quer dizer, se um molho, que deve ter um índice de colesterol aproximado ao que devemos acumular ao longo de um ano, não merece o nosso respeito, que outra bomba merecerá?
Agora, porquê holandês? Um primeiro esboço de molho holandês remonta a 1651 de François Pierre La Varenne. Isto numa altura que quase ainda não tinhamos inventado a Holanda propriamente dita. Ok, é um exagero, mas a verdade é que a Holanda surge em 1581 e não tenho a certeza se já com esta denominação moderna. Por isso, não acredito que La Varenne quisesse fazer um tributo àquele recém formado pais. Creio que teria mais com que se chatear. Mas nunca se sabe. De uma forma ou de outra, consegui arranjar uma desculpa perfeitamente lógica para uma piada estúpida, arrogante e a roçar o xenófobo.
Passemos às Nações Unidas da questão. Receita para um ovo. É proporcional, por isso é só multiplicar.

1. Uma gema
2. 100 gr de manteiga
3. 1/4 de Limão
4. Pimenta cayenne (Até certo ponto substituível, só para não fazer disto um mistério)
5. Sal

O método clássico é em banho maria. Mas este mister fá-lo directamente na boca do fogão. Portanto, menos um mistério.
Aliás, com um bom recorte humorístico o chef remata evocando calma: A hollandaise can sense fear.
Confiança.

http://www.youtube.com/watch?v=8m3ulPfoiIU

Mistura-se bem o limão com a gema e leva-se à boca mexendo bem. Não estamos a fazer ovos mexidos, omelete ou outra variante, por isso o grande truque é: atenção. Como vemos no vídeo é ir tirando da boca ou do banho maria para baixar ligeiramente a temperatura. Quando sentirmos a mistura do ovo com o limão a atingir uma certa densidade é tirar o do lume. Uns segundos a mais e temos pequeno almoço à holandesa. Juntar a manteiga derretida, sem estar quente de mais e começando a emulsão devagar, ao bom estilo maionese. Se não partimos o Holandês. Emulsionar bem, misturar um pouco da pimenta. Sal, deixo à consideração. A manteiga nos Açores é bem salgada, por isso dispenso. Mas se for uma marca "from mainland", se calhar pede uma pedrinha de sal. De complexo nada. De saboroso tudo.
O clássico é servir com espargos escaldados (2/3 minutos), mas se querem a minha opinião, um bocado de madeira com molho Holandês, vai bem. Por isso, acabo com uma dica, se o conseguirmos fazer bem em casa, não o peçam em restaurantes.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A segunda crítica :: O Alcides
















Lancei a primeira e fiquei à espera de represálias. Tirando um cocó de pombo no vidro do carro, tudo bem. Por isso, decidi avançar com a segunda critíca, até porque pode ser que me apareça qualquer coisa diferente no vidro. Pelo menos vou fazer por merecer nas próximas linhas. (O pombo podia deixar, por exemplo, uma lagosta, ou um frasquinho de caviar Beluga no vidro do carro. Só uma sugestão)
O Alcides é uma verdadeira instituição em Ponta Delgada. Um restaurante com mais de 50 anos de história e afamado pelos seus bifes. E vamos ser sinceros, nenhum restaurante chega a 50 anos sendo mau. Mas o nome e a dita fama podem ajudar a perpetuar um mito. Não sei se será exactamente o caso. Com uma nova sala e decoração, até certo ponto com bom gosto, a desgraça começa quando num vislumbre, avistamos as bilhas de gás numa espécie de quintal, que arquitectos e proprietários fazem questão de nos mostrar. É assim, caseirinho. O serviço é metido ao amigável, descontraído, tipo Bistro. O que é simpático até começar a falhar, aí os nossos amigos transformam-se numa espécie de querido inimigo. Com alguns equívocos, o humor vai desaparecendo e a familiaridade transforma-se num verdadeiro pain in the ass. Que a minha avó se distraia e traga sopa, quando tinha dito que não a queria, é uma coisa.
Mas este, no meu entender, não é o pior, nem é o problema mais difícil de resolver.
O pior é que das três vezes que lá estive, desde que reabriu com a nova decoração, não conseguiram acertar com o meu bife mal passado, uma única vez. Pergunto-me se mais de 50 anos não chegam para aprender os diferentes pontos de bife? Mesmo que a resposta seja negativa, porque não usar um truque?
Gordon Ramsay ensina-nos 50 anos de pontos de bife, em aproximadamente 10 segundos. (info técnica ao 1'20")

http://www.youtube.com/watch?v=MtIiR7DBAqY&feature=channel

Portanto, outro ponto fácil de resolver. O que não será tão fácil de resolver, porque não sei apontar a solução, é a falta de alma do bife. Todos sabemos que apesar de ser das carnes mais apreciadas e caras, o lombo não tem muito sabor. Portanto, ao invés de um restaurante que nos serve meio quilo de bife e esfregamos as mãos de contentes, no Alcides dá vontade de chorar perante aquele meio quilo de carne do lombo. Mas a culpa não é da carne, é da falta de alma do molho. Insípido e sem nenhuma das propriedades de um bom molho de bife à regional, que é tão, tão simples de fazer e que ao mesmo tempo ajuda a criar um dos melhores bifes do mundo. Portanto, lá fico eu agarrado àquelas tiras de pimenta da terra e aos bons bocados de alho, para ver se faço uma reanimação assistida à mesa. Mas nunca o suficiente para esconder que não há amor a fazer o bife.
Se fosse amigo do dono do restaurante diria que tem ali um excelente negócio. Simples.
Mas precisa de um cozinheiro com amor pelo que faça. Amor este que tem que ser transmitido pelo donos, pela tradição, pela história e tudo mais. Quanto aos empregados de mesa, podem continuar a ser o que são, pois se se enganarem menos vezes, não virão ao de cima nenhum dos problemas apontados.
Como esta é uma área de grande interesse para Luis Anton Ego e temos muitos amigos a trabalhar na área, acabo com um facto curioso: Muitos donos de restaurantes queixam-se que o seu negócio já foi melhor, muitos deles até dizem que não entendem o que se passa. A resposta até é simples, apesar de generalista. São pormenores como estes que descrevi que fazem com que uma pessoa, quase inconscientemente, deixe de ir a determinado restaurante. Por exemplo, Luis Anton Ego nunca mais foi ao Alcides. Mas não é uma vontade manifesta, é inconsciente. Pura e simplesmente saiu da lista e caiu no esquecimento.
Esta é uma área de actividade muito delicada e tenho a certeza absoluta que todos os pormenores contam.
Vamos embora Alcides. Aperta contigo, fazes falta.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Caldo :: A base das bases.













Ter a assistência de uma caldo de galinha, peixe, carne ou vegetais é essencial para elevar qualquer cozinha caseira ao patamar seguinte. É muito simples de fazer, e tem uma intervenção importantíssima num risotto, por exemplo. Mas pode ir até à simples intervenção num molho. É o princípio de uma bonita sopa, enfim uma espécie de David Bowie da cozinha. Adapta-se a qualquer situação. Para além de ser um companheiro inseparável do pequeno Ratatouille que vive dentro de nós, ensina-nos um interessante truque, no caso específico do caldo de galinha.
Vamos do princípio: Galinha, queimar os pêlos da sacaninha, directo na boca do fogão. Água, alho francês, cenoura, aipo picados lá para dentro. Quando ferver juntar umas folhas de louro ou qualquer outra erva. Sempre sem colocar a tampa, que é para ir reduzindo, é aí que está o truque do sabor. Duas horas, duas horas e meia devem chegar para fazer um bom caldo.
O engraçado é pensar no que fazemos a seguir com a galinha. Quem é que quer uma galinha cozida? Ninguém. E quem é que quer uma galinha assada no forno, seca como normalmente tem a tendência de ficar. Ninguém. Este é o truque: assar a galinha do caldo. É tenra como as coisas tenras. Vai ao forno com muita manteiga de limão, e no máximo 20 a 25 minutos chegam para deixar alourar o bicho ao ponto máximo de pele estaladiça. Tal como a foto documenta.
Outro conselho. Não fazer o caldo no dia. Pensar em fazer um Risotto de raíz, fazendo o caldo no dia é um verdadeiro calvário. Uma maratona. O caldo aguenta bem. É fazer uma vez por semana e ir utilizando. Se para semana tiver muitos jantares fora com o David Bowie, congelo.
* Na foto galinha de caldo assada no forno com batatas e presunto, com molho holandês.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

A primeira referência :: Ferran Adrià













Viver neste mundo e não ter referências é pouco como descobrir o ovo cozido em 2009. Criar referências é observar tendências e ideias, que futuramente nos poderão ajudar a formar um critério e a chegar a novos conceitos.
O elBulli e o Chef Ferran Adrià são uma destas referências. Através da aplicação de novas técnicas, vindas dos mais diversos campos, ele conseguiu criar um universo completamente novo. Considerado o melhor restaurante do mundo e com 3 estrelas no Guia Michelin, o elBulli recebe cerca de 2 milhões de pedidos de reserva, só conseguindo atender 8000 por ano. Por isso, não me perguntem se já tive o privilégio de me sentar numa das mesas, porque não tive. E até pagava os cerca de duzentos euros por pessoa, sem vinhos. Se levarmos em linha de conta que são 35 pratos, numa refeição que pode chegar às 5 horas, até é barato pagar aquele valor por uma experiência única.
Até lá enchemos a barriga de ideias, conceitos, pratos, apresentações verdadeiramente originais e criativas.

Ver filme Ferran Adrià

elBulli

A day at elBulli :: Livro

Decoding Ferran Adrià :: DVD

Este último link é uma verdadeira pérola. O DVD não é caro e permite uma compreensão mais aprofundada sobre o o fenómeno.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Viera fresca com Puré de Couve Flor















Este é um prato de construção simples, em que os sabores se fundem na perfeição. A Viera é um molusco bivalve que é um pouco desprezado à nossa mesa. Raramente se encontram frescas e quando as encontramos em restaurantes (tirando excepções como o Gambrinus) assistimos a verdadeiras atrocidades. Normalmente servidas na sua própria concha, sem estarem limpas, ou seja a iguaria incluí anus, músculos, estômago entre outras entranhas, só de si sonoramente apetecíveis.
Não bastava isto, misturam-se natas, queijo, molho béchamel, picados e picadinhos. Enfim, um sem números de pequenos equívocos que raramente funcionam bem, ou tiram partido dos sabores do próprio alimento.
O primeiro segredo é a limpeza da Viera.
http://www.youtube.com/watch?v=5eyOO9LySo4&feature=related
As que eu tinha eram bem maiores e por isso mais carnudas, como se pode ver pela foto.
A partir daqui é quase em piloto automático e foi mais ou menos assim:
1. Viera selada em Azeite e Vinho Verdelho. Não cozinhar demais. A riqueza da sua textura e sabor a mar atinge a exuberância máxima no médio/mal passado. Pedra de Sal Marinho e gota de limão. Se for Galego, maravilha.
2. Puré de Couve Flor. Primeiro salteia-se a couve com manteiga e uns dentes de alho finaliza-se com um mini shot de Martini Extra Dry e deixa-se reduzir. É nesta altura que entra meia de água, meia de caldo e coze-se bem a couve (Também se pode usar a técnica do Risotto, mas é mais demorado). Quando bem cozido, é fazer o puré, fechando com mais um pouco de manteiga e a clássica noz de moscada. Dica: Quanto mais se "pisar" o puré, mais macio ele acaba por ficar.
3. Usar um anel de apresentação, colocar o puré, Viera em cima do puré e um raminho de manjerona. Servir com o molho de selar a Viera. Simples.

A Primeira Crítica

(Que pode muito bem ser a última). Baterias apontadas ao Hotel Avenida.
Não há muita volta a dar. Bom nível de serviço e muito provavelmente as melhores sopas da cidade.
Quer a nível técnico, quer a nível criativo. Embora a técnica ultrapasse a criatividade na maioria das vezes. Até porque a primeira quase sempre roça a perfeição. No outro dia, surpreendeu-me a Sopa de Nabo com Tomilho. Mas quase todas as sopas estão a um nível excelente. Por exemplo, só me lembro de ter comido uma canja melhor: A da minha Avó.
Como a sopa pode não ser o suficiente para puxar carroça, recomenda-se vivamente o Club Sandwich. É excelente, mesmo comparando com locais onde se fala estrangeiro e paga-se mais.
Até custa é a acreditar que depois de uma sopa destas e um Club Sandwich, a tão elevado nível, nas batatas fritas que nos servem. Inaceitável. Mas o patamar de inaceitável não fica por aqui. O presunto bafiento e sem qualidade que é servido com o melão fica a este nível por mérito próprio. E alguns pratos do dia são uma espécie de TotoAvenida. Pode ser bom, muito bom, mau, aceitável, enfim, igual a qualquer jogo de sorte e azar.
No que está bom, não mexia uma pedrinha de sal. No que está menos bom, é puxar pelos galões. Por exemplo, ter um bom presunto que é cortado na hora será das coisas mais fáceis de arranjar e é essencial em serviço de Hotel. Um 5J por exemplo, ou se não quisermos espanholada aqui nos Açores, temos excelentes patas negras em Portugal. E este é só exemplo de como se pode melhorar o nível de um prato clássico, sem envolver cozinha ou cozinheiros. Para cortar recomendo uma de duas coisas:
1. Ou enviam para Espanha alguém para aprender a cortar.
2. Ou compram uma boa máquina.
Não façam como o Restaurante O Marinero, que apesar de ter um presunto minimamente aceitável, corta-o em versão bife, perdendo completamente uma textura que se deve derreter na boca em vez de se mastigar violentamente.
E agora apercebi-me que esta não é a primeira crítica do Blog Luis Anton Ego, mas sim a primeira dupla crítica.
A probabilidade de ser a última aumentou consideravelmente.

P.S - Estive há pouco no Hotel Avenida e vi umas batatas fritas a serem servidas com óptimo aspecto. Por isso, foram promovidas de inaceitáveis para TotoAvenida. Prefiro ir devagar, pois não as provei, nem sei a nível de regularidade se o fenómeno se irá repetir.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Sorvete de Melão com Presunto 5J e Shot de Vodka Melão

Técnica: Desconstrução
Ponto Forte: Apresentar o tradicional presunto com Melão, com textura e temperaturas diferentes.
Fazer Sorvete : http://www.youtube.com/watch?v=c4dEDvnafYU (Receita serve apenas de referência. O sorvete da foto foi feito de outra forma e com outro tipo de Melão)
Desenvolvido por: Luis Anton Ego

Sobre a Regularidade de posts: Vamos tentar manter.

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Quem é o Luis Anton Ego?









Luis Anton Ego não é mais, nem é menos. Mas também não está no meio. Não se acha, nem quer ser. Luis Anton Ego é um blog sobre comida. Sobre paixão, técnica, ideias, criatividade, queimaduras nos dedos, mãos, cara, braços. É sobre estar de pé oito horas seguidas. Mas é também sobre comer fora. É sobre ser mal servido, é sobre más cozinhas, más ideias. É sobre saber se existe de facto a guerra entre a tradição e a modernidade, ou é apenas um falso mito para proteger maus cozinheiros, atrás de uma convenção que pura simplesmente não existe quando se fala em criatividade.
Será também uma tentativa, talvez vã, de explicar que a Nouvelle Cuisine, já não é assim tão Nouvelle. Já existe há mais de trinta anos, como conceito renovado, e quase nada tem a ver com pouca comida no prato.
Luis Anton Ego será sobre o palato, e o facto de quanto mais fechados estivermos a experimentar coisas novas, mais reduzido será o nosso palato e consequentemente a nossa capacidade crítica sobre o que estamos a comer.
No mundo da comida, não confio em vegetarianos, nem nunca os vi a serem bons críticos ou sequer cozinheiros.
Mas Luis Anton Ego será muito mais. Mas agora, quero acabar em grande e começar a receber montes de e-mails de veggies. Quem sabe até tenha direito a uma grupo de ódio no Facebook. Só para fechar, e para aumentar o potencial da formação de um grupo de ódio, também desconfio de quem pede um bife bem passado. Nunca os vi a serem bons chefes, nem bons críticos.
Venham eles.
Luis Anton Ego